Ibovespa em Queda Livre: Bolsa Brasileira Recua para 192 Mil Pontos com Dólar Estável e Petrobras Segurando Perdas

Ibovespa em Nova Correção: Bolsa Brasileira Perde Força e Fecha Abaixo dos 193 Mil Pontos

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou uma nova correção nesta quarta-feira, 22, recuando para os 192.888,96 pontos. A queda de 1,65% contrastou com o desempenho positivo das bolsas americanas, que atingiram novos recordes. O dia foi marcado por perdas significativas no setor financeiro, com destaque para a desvalorização de ações como Bradesco ON (-2,66%) e Banco do Brasil ON (-3,62%).

A baixa do índice foi parcialmente contida pela performance de Petrobras, cujas ações ON e PN subiram 1,86% e 1,38%, respectivamente. O avanço foi impulsionado pela alta do petróleo no mercado internacional, com o barril do tipo Brent superando os US$ 100. No entanto, Vale ON, principal componente do Ibovespa, fechou em queda de 1,70%, a R$ 87,22.

O giro financeiro da sessão somou R$ 26,6 bilhões. Em Nova York, o Dow Jones avançou 0,69%, o S&P 500 subiu 1,05% e a Nasdaq teve alta de 1,64%. O nível de fechamento do Ibovespa foi o menor desde 8 de abril, acumulando uma perda de 1,45% na semana, mas ainda com um ganho de 2,90% no mês e 19,71% no ano.

Ações em Destaque e Fatores Externos Influenciam Mercado

No lado positivo da B3, além de Petrobras, destacaram-se PetroReconcavo (+3,82%) e Prio (+1,74%), ambas ligadas ao setor de energia. Hapvida também apresentou ganho de 2,18%. Na ponta oposta, Cogna (-6,97%), Embraer (-6,01%) e Yduqs (-5,43%) registraram as maiores quedas. A correção no mercado brasileiro foi atribuída, em parte, a um alinhamento com o desempenho de ADRs brasileiras na terça-feira, após o feriado de Tiradentes.

Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, comentou que o clima externo continua desafiador, apesar da alta em Nova York, que foi pautada por resultados corporativos. Ele ressaltou que, mesmo com a extensão do cessar-fogo anunciada pelos EUA em relação ao Irã, as negociações não mostram linearidade, e a disfunção na passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz continua afetando os preços globais de energia.

Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos, acrescentou que o Irã condiciona o retorno às negociações com os EUA à cessação das ameaças, e a questão do enriquecimento de urânio permanece um ponto sensível. O tráfego pelo Estreito de Ormuz segue praticamente interrompido, impactando diretamente o mercado de petróleo.

Dólar Estável e o Papel do Petróleo na Economia Brasileira

O dólar à vista fechou a sessão desta quarta-feira estável, cotado a R$ 4,9740. A alta do petróleo, com o barril Brent acima de US$ 100, ofereceu suporte ao real em um dia de predominância de alta da moeda americana no exterior. A escalada da commodity beneficia os termos de troca do Brasil e, teoricamente, limita o espaço para cortes na taxa Selic.

A perspectiva de juros elevados no Brasil, com um diferencial considerável em relação ao exterior, mantém a atratividade do carry trade e dificulta apostas contra o real. Apesar das incertezas geopolíticas, o real tem demonstrado força, sendo a moeda que mais se valorizou desde o início do conflito no Oriente Médio, segundo Marcos Weigt, diretor de Tesouraria do Travelex Bank.

Weigt destacou que o Brasil está bem posicionado como exportador líquido de petróleo e com matriz energética diversificada. Ele ressaltou que, com uma taxa de juros elevada e inflação controlada, o dólar poderia estar em R$ 4,50 se o cenário fiscal estivesse mais ajustado. O dólar já acumula desvalorização de 3,95% em abril e está no menor nível de fechamento em mais de dois anos.

Juros em Alta e Impacto Geopolítico nos Investimentos

A curva a termo de juros apresentou inclinação no pregão de volta do feriado, com alta nos vencimentos médios e longos. A disparada do petróleo e a oferta de títulos do Tesouro Nacional atrelados à inflação contribuíram para o aumento das taxas. O contrato de DI para janeiro de 2027 subiu para 14,01%, e o DI para janeiro de 2029 avançou para 13,305%.

A Guarda Revolucionária do Irã abriu fogo contra um navio cargueiro no Estreito de Ormuz e informou a apreensão de duas embarcações, elevando as tensões na rota estratégica. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, alertou que o fechamento do estreito mantém os preços do petróleo altos, com consequências inflacionárias e pressão sobre os juros. A possibilidade de um corte de 0,5 ponto na Selic em abril tornou-se improvável.

Investidores estrangeiros veem o Brasil como um “vencedor relativo” em um ambiente geopolítico volátil, segundo a XP Investimentos. Fatores como ser produtor de petróleo, ter energia limpa e estar longe de conflitos globais são vistos como positivos. A percepção predominante é de valorização do real, apesar das pressões nas curvas de juros de curto prazo devido ao espaço limitado para o Banco Central reduzir a taxa Selic.

Botão Voltar ao topo