OAB-RJ repudia “intolerância religiosa” em desfile sobre Lula na Sapucaí: “Neoconservadores em conserva” causa polêmica

OAB-RJ repudia “intolerância religiosa” em desfile sobre Lula na Sapucaí: “Neoconservadores em conserva” causa polêmica
A seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) manifestou forte repúdio a um desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval de 2026. A entidade classificou a apresentação como uma prática de intolerância e preconceito religioso contra cristãos, gerando um intenso debate jurídico e social.
O centro da controvérsia foi a ala intitulada “neoconservadores em conserva”, que teria retratado famílias conservadoras de forma pejorativa. A OAB-RJ argumenta que a manifestação ultrapassou os limites da liberdade artística e feriu garantias constitucionais, conforme detalha a nota oficial divulgada pela comissão da entidade.
A nota, assinada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e pela Comissão de Advogados Cristãos, enfatiza que a liberdade religiosa é um direito fundamental e um pilar essencial do Estado Democrático de Direito. A Ordem ressalta que a proteção à liberdade de crença está prevista não apenas na Constituição Federal, mas também em tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil.
Por que a OAB-RJ decidiu intervir na polêmica do desfile?
Segundo a OAB-RJ, a encenação do desfile, ao ridicularizar a “família tradicional” (formada por homem, mulher e filhos) em rede nacional e internacional, representou uma afronta direta ao Estado Democrático de Direito. A entidade citou o Artigo 5º da Constituição Federal, que garante a liberdade de consciência e de crença, além do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que em seu artigo 18 protege a liberdade religiosa.
A Ordem dos Advogados do Brasil considera que a apresentação da Acadêmicos de Niterói, ao satirizar grupos com posições contrárias às pautas do governo Lula, extrapolou os limites da sátira e da crítica social. A entidade vê na ala “neoconservadores em conserva” uma manifestação de preconceito e intolerância religiosa.
O enredo da discórdia: “Famílias em conserva”
A escola de samba Acadêmicos de Niterói, em sua justificativa oficial, declarou que o objetivo da ala “neoconservadores em conserva” era retratar grupos que se opõem firmemente às pautas defendidas pelo governo Lula. No entanto, a interpretação da OAB-RJ e de parte do público divergiu significativamente.
A polêmica ganhou ainda mais força com a repercussão nas redes sociais, onde cristãos e apoiadores da “família tradicional” reagiram à apresentação. Alguns internautas, em forma de protesto e ironia, passaram a publicar fotos de suas famílias em latas de conservas, utilizando a expressão “fizeram do limão uma limonada”.
Quais podem ser as consequências jurídicas da manifestação da OAB-RJ?
A intervenção da OAB-RJ pode conferir peso jurídico a possíveis pedidos de investigação sobre o ocorrido. Parlamentares da oposição ao governo Lula já sustentam que a apresentação do desfile pode ter violado leis de proteção à liberdade religiosa e de expressão.
Embora o Carnaval seja historicamente um espaço para sátira e crítica social, a nota oficial da OAB-RJ sinaliza que a entidade buscará medidas cabíveis para apurar a conduta da escola de samba. A expectativa é que a manifestação da Ordem possa influenciar futuras decisões sobre o limite da liberdade artística em eventos públicos.
Em contrapartida, o governo federal negou qualquer tipo de influência no desenvolvimento do enredo da Acadêmicos de Niterói. O Partido dos Trabalhadores (PT) também rebateu as críticas, defendendo a liberdade de expressão da escola de samba e rechaçando a acusação de intolerância religiosa.